Desperté, miré hacia fuera y la ventanilla se asomó a mis ojos. El avión, soltando plumas y batiendo las alas, aterrizó como si fuera a atrapar una liebre con las garras de las ruedas.
Era natal , o frio gelava – me a ponta dos dedos , o inverno rigoroso que este ano se fez sentir deixa – me as mãos a latejar de dor , martirizam –me as frieiras nos dedos.
Gostava de acordar amanhã e respirar fundo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Gostava de já não me sentir triste e vazia, incapaz de entender as mais pequenas nuances deste enredo.
Numa manhã de nevoeiro José saiu à rua e viu tudo mais claro do que nunca. Quando acordou nesse dia, vestiu-se ao acaso, mexeu-se mecanicamente, abriu a janela sem ver nada nem ninguém.
Não quero nada. Nada, ouviste bem. Estou farto de tudo que me tens dado. Se isto é tudo, não quero nada. Quero que me deixes em paz, que não me sugues mais a alma e o tutano. Desgraças-me.
Depois e vários dias de chuva intensa finalmente o sol aparecera e com ele o sorriso no rosto das pessoas, a satisfação de estar ao ar livre e sentir a brisa fresca e o calor do sol penetrar a pele
A luz do ecrã eleva-se na voz. Sons de paisagem longamente distante e sofregamente desconhecida.
Pela janela entram os pezitos sorrateiros de um espírito que se diz de paz.
Lentamente abri um pouco os olhos, eram três e meia da tarde, a luz dos raios de sol entrava pelos buracos das persianas do meu quarto sentia-me desorientado, cansado, sem rumo e desmotivado.
Tinha sido uma rapariga bonita. Muito bonita mesmo. Gostava de rir e de se ir assomar aos bailes, ver nos pares enlaçados o prenúncio de um casamento que nunca aconteceu. Gostava do cheiro do pão.
O futuro chega sempre. E a indecisão sempre passa. Mas é no passado que a mágoa nasce. De onde não mais se vê vida. Vem ligeira, discreta, mas quase a roubar-nos a vida que ficou.
Num céu sem fim, escuro como o negro e cercado pela escuridão, estava ela, coberta pelo manto da dor, perdida e abandonada pelos seus sonhos e esperanças.
Ela segue... Não há nada que a possa prender aqui. Não há nada que a mantenha aqui. Só há uma coisa que ela tem a certeza de que existe mas que, na verdade, mantém a impossibilidade de existência.
Queria-te tanto. E queria-te agora. Mais do que nunca, do que em qualquer outra hora. Essa relutância tão percetível e tão previsível deixa tanto a desejar.