Era uma vez um cara que fumou dos dezenove aos trinta anos. Voltando a fumar uns dez anos depois, as vésperas da morte de sua mãe, que passara quase toda à vida sem que lhe tirassem o fumo.
Para lá da cidade chuvosa, industrial e cinzenta existe um pequeno oásis: escondido entre os prédios sociais, encaixotados, desenha-se um pequeno lago, rodeado por canas, que lembra um ambiente ori
Maria do Mar Maria do Mar veio na espuma de uma onda e chegou á borda de água, na praia onde tantas vezes vagueava sozinha nas areias brancas e desertas.
Estava tão ferido e colonizado de medos que as palavras tinham-se-lhe travado a fundo debaixo da língua. A dor era tanta que rebentava com violência a pele que revestia um corpo de outro tempo.
Quando Esperança nasceu, naquela tarde de trovoada e céu zangado, a mãe presenteou-a com o nome de quem foge do desespero, o desespero de lutar por um pedaço de pão que não se consegue multiplicar
Ela deita-se e o colchão cede debaixo do seu peso cansado. Enrosca-se um cão num tapete, deitado algures no escuro. Há um silêncio gritante na casa. O silêncio de quem dorme e divaga sozinho.
Desço a rua que me indicaste para pensar no futuro, sigo pelo contratempo da paisagem. Dou por mim ao relento da saudade e quase desisto de procurar-te.
Existia uma janela. A janela tinha um parapeito com cheiro a flores e água fresca. E, à janela, vivia um homem todos os minutos dos seus dias inteiros.
«Por esta altura, a Vó Gi andaria a ver o preço das abóboras no supermercado e o Pai a desfazer as montanhas de tralha na garagem até ao caixote das coisas do natal.
Era sempre da mesma maneira, não valia a pena. Por mais que tentasse alterar fosse o que fosse acabava igual a tantas outras, sem diferenças de referencia maior.
Amélia caminha devagar entre os corredores de roupas penduradas em cabides, mudos e coloridos. Falam de sol, esplanadas, e caminhadas lentas, embaladas por um vento morno.
Era uma vez ama história de Amor presa no passado, entalada num amontoado de caixas imaginárias, onde se vai guardando momentos, e aqueles menos agradáveis trancamos a sete chaves é claro.
Estavas sentada e, sobre a mesa pequena redonda, seguravas, com as mãos, o copo alto de vinho maduro. Estavas sozinha, ao canto. Ouvias Rod Stewart pelo microfone que alguém sacudia com a voz.
De todas era ela a que mais encantava. Nunca se cansava de rodopiar ao som da música que permitia a qualquer um viajar pela terra dos sonhos e pela magia dos sentidos.
Laura não brincava com bonecas, preferia palavras. Gostava tanto de palavras que “- Um dia vou conseguir pô-las a chorar de tanto as dizer” – comentava com a irmã Carminho.