“ (…) Mãe, já sei que estás magoada mas não me vires as costas. Tu não. Estou aqui fechado. Enlouqueço! Sabes bem que não sou culpado de tudo o que me acusam… Não te preocupas comigo?
Chegara o grande dia. O munhó (como os bichos o tratavam entre si), um gorducho bem disposto, tinha por hábito oferecer todos os anos aos habitantes da quinta, por altura de S.
Sol quente. Chão de fritar ovos. Pés suados de calor. Mãos tépidas. Suor correndo apressado nas têmporas. Blusa encharcada. Cabelo transpirado, ensebado e sujo pelo calor abrasador de Goiânia.
Desculpa ter-te deixado sozinho, no escuro. Mas tu sabes que és demasiado comprido para viajar comigo de avião. Desta vez passámos por cima do mar. Tinha mesmo de ser assim.
Guardavas no bolso a escuridão da noite.
Em cada botão que abrias, o sol espreitava por todos os raios.
Não podias ver o negro, que lhe mandavas uma puxada de sol em contra-mão.